{"id":1982,"date":"2020-07-13T19:33:31","date_gmt":"2020-07-13T19:33:31","guid":{"rendered":"https:\/\/centrobrasileirointegrado.com.br\/mg\/antigo\/?p=744"},"modified":"2020-07-13T19:33:31","modified_gmt":"2020-07-13T19:33:31","slug":"os-desafios-para-garantir-a-educacao-de-jovens-e-adultos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centrobrasileirointegrado.com.br\/mg\/os-desafios-para-garantir-a-educacao-de-jovens-e-adultos\/","title":{"rendered":"Os desafios para garantir a Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos"},"content":{"rendered":"<div class=\"abracaPagina\">\n<p>O acesso \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para que todos possam intervir de modo consciente na esfera p\u00fablica, participar plenamente da vida cultural e contribuir com seu trabalho para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida da sociedade. Entretanto, em pleno s\u00e9culo 21, o Brasil ainda possui um enorme contingente de cidad\u00e3os privados do mais elementar direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o. O Censo Demogr\u00e1fico de 2010 contabilizou 13,9 milh\u00f5es de jovens e adultos com idade superior a 15 anos que declararam n\u00e3o saber ler ou escrever. Esse mesmo levantamento indicou que 54,4 milh\u00f5es de pessoas com 25 anos ou mais tinham escolaridade inferior ao Ensino Fundamental e outras 16,2 milh\u00f5es haviam conclu\u00eddo o Ensino Fundamental, por\u00e9m n\u00e3o o Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, o Brasil consolidou uma consci\u00eancia social do direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o na inf\u00e2ncia, mas ainda n\u00e3o construiu uma cultura do direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o ao longo de toda a vida. Assim, n\u00e3o \u00e9 incomum que pais com baixa escolaridade lutem para que os filhos tenham acesso a um ensino de qualidade, sem reivindicar para si mesmos o direito que tiveram violado. Tampouco \u00e9 raro que pessoas com escolaridade elevada permane\u00e7am alheias ao fato de que est\u00e3o cercadas por adultos que a pobreza e o trabalho precoce afastaram da escola, ou que t\u00eam prec\u00e1rio manejo da leitura, da escrita e do c\u00e1lculo matem\u00e1tico.<\/p>\n<p>Empregados dom\u00e9sticos e trabalhadores da agricultura, da constru\u00e7\u00e3o civil, da seguran\u00e7a e outras fun\u00e7\u00f5es que requerem pouca qualifica\u00e7\u00e3o comp\u00f5em esse imenso contingente que enfrentam toda sorte de preconceitos e dificuldades para prover sua subsist\u00eancia, educar os filhos e participar de modo mais efetivo na sociedade letrada (Galv\u00e3o e Di Pierro, 2013).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"abracaPagina\">\n<p><span class=\"\">O direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o e as pol\u00edticas p\u00fablicas<\/span><\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) \u00e9 a modalidade de ensino destinada a garantir os direitos educativos dessa numerosa popula\u00e7\u00e3o com 15 anos ou mais que n\u00e3o teve acesso ou interrompeu estudos antes de concluir a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Conforme assinala Oliveira (1999), a modalidade n\u00e3o \u00e9 definida propriamente pelo recorte et\u00e1rio ou geracional, e sim pela condi\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o socioecon\u00f4mica, cultural e educacional da parcela da popula\u00e7\u00e3o que constitui seu p\u00fablico-alvo.<\/p>\n<p>As necessidades e condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem singulares desses jovens e adultos s\u00e3o reconhecidas pela legisla\u00e7\u00e3o, que prev\u00ea a oferta regular de ensino noturno, a contextualiza\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo e das metodologias, e uma organiza\u00e7\u00e3o flex\u00edvel, observado o princ\u00edpio da acelera\u00e7\u00e3o de estudos e a possibilidade de certifica\u00e7\u00e3o por meio de exames. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB) de 1996 previram, inicialmente, o direito dos jovens e adultos ao Ensino Fundamental, obrigando sua oferta regular pelos poderes p\u00fablicos. E a Emenda Constitucional n\u00ba 59 de 2009 ampliou esse direito ao Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n<p>No Brasil, assim como em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, a EJA cumpre as fun\u00e7\u00f5es de integrar migrantes rurais na sociedade urbana letrada e de elevar o n\u00edvel educativo da popula\u00e7\u00e3o adulta ao patamar das novas gera\u00e7\u00f5es, mas serve tamb\u00e9m como canal de acelera\u00e7\u00e3o de estudos para adolescentes que a reprova\u00e7\u00e3o colocou em defasagem e de reinser\u00e7\u00e3o de jovens alijados do sistema.<\/p>\n<p>Para que os estados e munic\u00edpios tivessem condi\u00e7\u00f5es de atender \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es decorrentes da legisla\u00e7\u00e3o, as pol\u00edticas p\u00fablicas inclu\u00edram as matr\u00edculas da EJA nos c\u00e1lculos do Fundo de Manuten\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e de Valoriza\u00e7\u00e3o dos Profissionais da Educa\u00e7\u00e3o (Fundeb) e nos programas de descentraliza\u00e7\u00e3o de recursos para as escolas, bem como nas a\u00e7\u00f5es de provis\u00e3o p\u00fablica e gratuita de merenda, transporte, material escolar e livros did\u00e1ticos. Na \u00faltima d\u00e9cada, o governo federal manteve a pr\u00e1tica iniciada no p\u00f3s-guerra de financiar uma campanha nacional de alfabetiza\u00e7\u00e3o de jovens e adultos, e criou outras iniciativas voltadas para a qualifica\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, como o Programa Nacional de Integra\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Profissional com a Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica na Modalidade de Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (Proeja) e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino T\u00e9cnico e Emprego (Pronatec). A Uni\u00e3o apoia os estados na formula\u00e7\u00e3o dos respectivos planos de Educa\u00e7\u00e3o nas pris\u00f5es, e oferece aos governos subnacionais a possibilidade de aderirem ao Exame Nacional de Certifica\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancias de Jovens e Adultos (Encceja). Desde 2009, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m \u00e0s pessoas com mais de 18 anos de idade realizar o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) para obter a certifica\u00e7\u00e3o dessa etapa. Em 2013, 784.830 candidatos solicitaram a certifica\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 60.320 &#8211; ou seja, menos de 10% &#8211; alcan\u00e7aram os resultados necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>A oferta de oportunidades de estudo e eleva\u00e7\u00e3o de escolaridade para jovens e adultos, entretanto, \u00e9 reduzida e as matr\u00edculas v\u00eam diminuindo ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. Em 2004, a modalidade alcan\u00e7ava 5,7 milh\u00f5es de pessoas. Em 2013, o contingente caiu para cerca de 3,7 milh\u00f5es. Como explicar que a oferta escolar esteja em decl\u00ednio se existem milh\u00f5es de pessoas com baixa escolaridade? \u00c9 poss\u00edvel imaginar que n\u00e3o exista demanda social por EJA se o mercado de trabalho requer n\u00edveis cada vez mais altos de qualifica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Os analistas ainda procuram explicar as raz\u00f5es desse inesperado recuo nas matr\u00edculas. Os cientistas sociais s\u00e3o inclinados a considerar primeiramente os contextos dos educandos, ponderando que a marginaliza\u00e7\u00e3o e a aus\u00eancia de horizontes de mudan\u00e7a social que afetam popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de pobreza extrema influem na falta de motiva\u00e7\u00e3o e nas dificuldades que enfrentam para se inserir em processos de escolariza\u00e7\u00e3o. Recomendam, portanto, que as pol\u00edticas de EJA integrem estrat\u00e9gias intersetoriais de desenvolvimento comunit\u00e1rio que articulem a forma\u00e7\u00e3o geral e a prepara\u00e7\u00e3o para o trabalho, a cria\u00e7\u00e3o de oportunidades de gera\u00e7\u00e3o de renda e a inclus\u00e3o digital entre outras medidas.<\/p>\n<p>J\u00e1 os pesquisadores da Educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o obrigados a considerar tamb\u00e9m os fatores internos ao sistema educativo, como as pol\u00edticas de atendimento, a acessibilidade e a organiza\u00e7\u00e3o dos cursos e a qualidade e a relev\u00e2ncia do ensino que tem sido oferecido para os jovens e adultos. Estudiosos do financiamento da Educa\u00e7\u00e3o argumentam que o fator de pondera\u00e7\u00e3o da EJA nos c\u00e1lculos do Fundeb \u00e9 muito baixo &#8211; apenas 80% do valor de refer\u00eancia atribu\u00eddo \u00e0s s\u00e9ries iniciais do Ensino Fundamental regular urbano. Isso desestimula os gestores estaduais e municipais a investir na modalidade, j\u00e1 que os custos de manuten\u00e7\u00e3o das turmas de EJA n\u00e3o s\u00e3o menores que os das demais classes. Outros analistas afirmam que os elevados \u00edndices de abandono na EJA colaboram para tornar a modalidade desprestigiada entre os dirigentes escolares, especialmente em contextos nos quais os indicadores de fluxo e rendimento repercutem na avalia\u00e7\u00e3o das unidades de ensino e influenciam a remunera\u00e7\u00e3o e a progress\u00e3o na carreira docente. A explica\u00e7\u00e3o mais difundida at\u00e9 o momento, por\u00e9m, \u00e9 a de que existe um fosso separando as necessidades de aprendizagem dos jovens e adultos trabalhadores e as caracter\u00edsticas dos cursos nas escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Em outras palavras, os jovens e adultos das camadas populares n\u00e3o acorrem com mais frequ\u00eancia \u00e0s aulas porque a busca dos meios de subsist\u00eancia absorve todo seu tempo, seus arranjos de vida n\u00e3o se harmonizam com a frequ\u00eancia cont\u00ednua da escola e os conte\u00fados veiculados s\u00e3o pouco relevantes para pessoas cuja vida est\u00e1 preenchida por m\u00faltiplas exig\u00eancias.<\/p>\n<p>Os desafios colocados para a garantia do direito dos jovens e adultos \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o complexos, mas muitos podem e devem ser enfrentados pelas equipes escolares, sob a lideran\u00e7a da dire\u00e7\u00e3o e da coordena\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, a come\u00e7ar pela convoca\u00e7\u00e3o da comunidade para a mobiliza\u00e7\u00e3o da demanda pela EJA, a forma\u00e7\u00e3o dos educadores para a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente acolhedor da diversidade e a flexibiliza\u00e7\u00e3o dos modelos de atendimento.<\/p>\n<div id=\"modalBloqueioScroll\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"abracaPagina\">\n<p><span class=\"\">Uma modalidade em busca de identidade<\/span><\/p>\n<p>As normas vigentes admitem uma diversidade de formas de organiza\u00e7\u00e3o da EJA, compreendendo cursos presenciais, semipresenciais ou \u00e0 dist\u00e2ncia, com avalia\u00e7\u00e3o no processo de ensino e aprendizagem ou em exames p\u00fablicos de certifica\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias. De acordo com o artigo 23 da LDB, os cursos de EJA podem ser organizados em s\u00e9ries anuais, per\u00edodos semestrais, ciclos, m\u00f3dulos, grupos n\u00e3o seriados, em regime de altern\u00e2ncia etc..<\/p>\n<p>Em algumas regi\u00f5es metropolitanas, existem centros especialmente destinados aos jovens e adultos que adotam formas de organiza\u00e7\u00e3o do ensino flex\u00edveis e inovadoras (Haddad et al, 2007), por\u00e9m a oferta p\u00fablica de EJA quase sempre \u00e9 realizada em per\u00edodo noturno e nas mesmas escolas &#8211; e com os mesmos professores &#8211; que atendem em per\u00edodo diurno crian\u00e7as e adolescentes. Como a maioria das licenciaturas n\u00e3o prepara para atuar com jovens e adultos, os professores tendem a reproduzir nessas turmas os m\u00e9todos e conte\u00fados curriculares do ensino das crian\u00e7as, at\u00e9 que o ac\u00famulo de experi\u00eancia e o trabalho coletivo lhes permita construir novos saberes da doc\u00eancia (Pereira e Fonseca, 2001; Ribeiro, 1999). A rotatividade dos professores, que na maior parte dos casos apenas completa suas jornadas de trabalho na EJA, entretanto, torna os esfor\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o em servi\u00e7o pouco efetivos. O coordenador desempenha um papel estrat\u00e9gico para o enfrentamento desse quadro, pois cabe a ele promover a forma\u00e7\u00e3o continuada da equipe e incentivar o estudo, as pr\u00e1ticas de registro, a an\u00e1lise cr\u00edtica e o interc\u00e2mbio de experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Quando procuramos pela identidade pedag\u00f3gica dos cursos de EJA, na maior parte dos casos, nos deparamos com algo muito assemelhado ao antigo Ensino Supletivo: cursos acelerados voltados \u00e0 reposi\u00e7\u00e3o dos mesmos conte\u00fados escolares veiculados no ensino infantojuvenil. O curr\u00edculo tende a ser pouco significativo e desconectado das necessidades de aprendizagem dos jovens e adultos. Al\u00e9m do risco de infantiliza\u00e7\u00e3o dos estudantes, essa abordagem compensat\u00f3ria ignora a riqueza de saberes das pessoas jovens e adultas, tendendo a v\u00ea-las como indiv\u00edduos aos quais faltam conhecimentos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que se coloca, ent\u00e3o, \u00e9 como tornar o ensino b\u00e1sico para os jovens e adultos mais relevante e atrativo, de modo a reverter a baixa procura, os elevados \u00edndices de abandono e o desprest\u00edgio da modalidade.<\/p>\n<p><span class=\"\">Pistas para uma EJA mais relevante<\/span><\/p>\n<p>Compromisso, entusiasmo e compet\u00eancia s\u00e3o ingredientes necess\u00e1rios \u00e0s equipes pedag\u00f3gicas em qualquer modalidade do ensino, mas o impacto de sua atua\u00e7\u00e3o depende em grande medida das condi\u00e7\u00f5es em que realizam o trabalho educativo. Instala\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e financiamento adequados, valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais e assist\u00eancia aos estudantes com alimenta\u00e7\u00e3o, transporte e material s\u00e3o pr\u00e9-requisitos para uma EJA mais relevante. Apesar de \u00f3bvias, essas condi\u00e7\u00f5es merecem aten\u00e7\u00e3o, tendo em vista a precariedade de alguns servi\u00e7os educativos.<\/p>\n<p>Registros de escolas inovadoras apontam que a supera\u00e7\u00e3o dos impasses j\u00e1 mencionados passa pela experimenta\u00e7\u00e3o de formas de organiza\u00e7\u00e3o mais flex\u00edveis e de qualidade, que rompam com o paradigma compensat\u00f3rio que inspirou o Ensino Supletivo, articuladas com outras pol\u00edticas sociais e de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Experi\u00eancias desse tipo podem ser encontradas nos movimentos por Educa\u00e7\u00e3o e cultura popular que, inspirados no pensamento de Paulo Freire (1921-1997), marcaram a hist\u00f3ria brasileira na segunda metade do s\u00e9culo 20, e tamb\u00e9m em pr\u00e1ticas contempor\u00e2neas conduzidas por governos, movimentos, universidades e organiza\u00e7\u00f5es sociais (Di Pierro et al, 2008; Haddad et al, 2007; Luiz, 2013; Melo et al, 2011; Soares, 2011).<\/p>\n<p>A primeira caracter\u00edstica comum a essas iniciativas \u00e9 o reconhecimento, o acolhimento e a valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade dos educandos da EJA, pois antes de serem alunos, esses jovens e adultos s\u00e3o portadores de identidades de classe, g\u00eanero, ra\u00e7a e gera\u00e7\u00e3o. Suas trajet\u00f3rias de vida s\u00e3o marcadas pela regi\u00e3o de origem, pela viv\u00eancia rural ou urbana, pela migra\u00e7\u00e3o, pelo trabalho, pela fam\u00edlia, pela religi\u00e3o e, em alguns casos, pela condi\u00e7\u00e3o de portadores de necessidades especiais.<\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias do reconhecimento da diversidade dos educandos \u00e9 a admiss\u00e3o da heterogeneidade de suas necessidades de aprendizagem, motiva\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es de estudo, o que implica a estrutura\u00e7\u00e3o de formas de atendimento diversificadas e flex\u00edveis, capazes de acolher diferentes percursos e ritmos formativos. A flexibilidade na organiza\u00e7\u00e3o dos tempos e espa\u00e7os de ensino e aprendizagem parece ser a chave para caracterizar as propostas pedag\u00f3gicas inovadoras na EJA, ao lado da criteriosa sele\u00e7\u00e3o de conte\u00fados curriculares conectados ao universo sociocultural dos estudantes, com apoio de recursos did\u00e1ticos em linguagem apropriada para essa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>Uma virada dessa ordem s\u00f3 pode ser realizada por e com educadores bem formados, que tenham acumulado experi\u00eancias e conhecimentos sobre a cultura e a aprendizagem das pessoas jovens e adultas das camadas populares, o que requer a supera\u00e7\u00e3o do voluntarismo reinante e o reconhecimento da natureza especializada do trabalho docente com jovens e adultos.<\/p>\n<div id=\"box-doted\" class=\"caixa-texto\">\n<p class=\"titulo-entrevista\"><span class=\"\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Di Pierro, M. C.; Vovio, C. L.; Andrade, E. R.<\/strong>\u00a0<em>Alfabetiza\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos: Li\u00e7\u00f5es da Pr\u00e1tica<\/em>. Bras\u00edlia: Unesco, 2008.<\/li>\n<li><strong>Galv\u00e3o, A. M.; Di Pierro, M. C.<\/strong>\u00a0<em>Preconceito contra o Analfabeto<\/em>, 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2013 (Cole\u00e7\u00e3o Preconceitos, vol. 2).<\/li>\n<li><strong>Haddad, S\u00e9rgio (coord.).<\/strong>\u00a0<em>Novos Caminhos em Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos: Um Estudo de A\u00e7\u00f5es do Poder P\u00fablico em Cidades de Regi\u00f5es Metropolitanas Brasileiras<\/em>. S\u00e3o Paulo, Global, A\u00e7\u00e3o Educativa, Fapesp, 2007.<\/li>\n<li><strong>Luiz, Eda.<\/strong>\u00a0<em>Aprender a Sonhar no Cieja Campo Limpo<\/em>. In: Coletivo Educ-A\u00e7\u00e3o. Volta ao Mundo em 13 Escolas: Sinais do Futuro no Presente. S\u00e3o Paulo, Funda\u00e7\u00e3o Telef\u00f4nica, 2013, p. 28-43.<\/li>\n<li><strong>Mello, Roseli R.; Braga, F. M.; Gabassa, V.<\/strong>\u00a0<em>Comunidades de Aprendizagem: Outra Escola \u00e9 Poss\u00edvel<\/em>. S\u00e3o Carlos, EdUfscar, 2012.<\/li>\n<li><strong>Oliveira, Marta Kohl de.<\/strong>\u00a0<em>Jovens e Adultos como Sujeitos de Conhecimento e Aprendizagem<\/em>. Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o, Set.\/Dez.1999, n. 12, p. 59-73.<\/li>\n<li><strong>Pereira, J. E. D.; Fonseca, M. C. F. R.<\/strong>\u00a0<em>Identidade Docente e Forma\u00e7\u00e3o de Educadores de Jovens e Adultos<\/em>. Porto Alegre, Educa\u00e7\u00e3o &amp; Realidade, vol. 6, n. 2, p. 51-73, jul.\/dez. 2001.<\/li>\n<li><strong>Ribeiro, V. M.<\/strong>\u00a0<em>A Forma\u00e7\u00e3o de Educadores e a Constitui\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos como Campo Pedag\u00f3gico<\/em>. Educa\u00e7\u00e3o e Sociedade, Campinas, v. 20, n. 68, p. 184-201, dez. 1999.<\/li>\n<li><strong>Soares, Le\u00f4ncio.<\/strong>\u00a0<em>As Especificidades na Forma\u00e7\u00e3o do Educador de Jovens e Adultos: Um Estudo sobre Propostas de EJA<\/em>. Educa\u00e7\u00e3o em Revista, Belo Horizonte, v. 27, n. 2, ago. 2011.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acesso \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para que todos possam intervir de modo consciente na esfera p\u00fablica, participar plenamente da vida cultural e contribuir com seu trabalho para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida da sociedade. 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