{"id":2032,"date":"2021-11-10T11:46:44","date_gmt":"2021-11-10T11:46:44","guid":{"rendered":"https:\/\/centrobrasileirointegrado.com.br\/mg\/antigo\/?p=1095"},"modified":"2021-11-10T11:46:44","modified_gmt":"2021-11-10T11:46:44","slug":"como-desviar-da-autossabotagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centrobrasileirointegrado.com.br\/mg\/como-desviar-da-autossabotagem\/","title":{"rendered":"Como desviar da autossabotagem"},"content":{"rendered":"<p>A palavra \u201csabotagem\u201d vem do franc\u00eas\u00a0<em>sabot<\/em>, \u201ctamanco\u201d, aquele sapato de madeira, muito usado na \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial iniciada no s\u00e9culo XVIII. Atribui-se a origem do termo ao ato deliberado dos trabalhadores insatisfeitos do per\u00edodo de quebrar as m\u00e1quinas da ind\u00fastria jogando nelas os sapatos. A\u00e7\u00f5es de sabotagem contra terceiros como essa s\u00e3o frequentes. Em guerras, por exemplo, n\u00e3o raro soldados cortam os pneus ou esvaziam os tanques de combust\u00edvel dos carros; nas disputas comerciais mundo afora, inc\u00eandios criminosos s\u00e3o provocados em pr\u00e9dios das empresas rivais; na pol\u00edtica, fatos depreciativos do advers\u00e1rio costumam ser trazidos a p\u00fablico, nem sempre de forma leg\u00edtima.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses tipos de sabotagem tradicional, praticados de forma consciente por rivais na pol\u00edtica ou no com\u00e9rcio, h\u00e1 outro, hoje talvez at\u00e9 mais comum e que tem rela\u00e7\u00e3o direta com o contexto do concurseiro: a autossabotagem. \u00c9 quando, conscientes ou n\u00e3o, sabotamos nosso pr\u00f3prio futuro, nosso pr\u00f3prio sucesso, nossos pr\u00f3prios sonhos. Voc\u00ea, precisa aprender a reconhecer os ind\u00edcios de que est\u00e1 em um ciclo de autossabotagem para sair dele e finalmente alcan\u00e7ar seus objetivos. Tenho algumas dicas para ajud\u00e1-lo nisso e vou compartilh\u00e1-las com voc\u00ea hoje, mas esclare\u00e7o desde logo: elas re\u00fanem alguns dos ensinamentos do <em>coach\u00a0<\/em>Ger\u00f4nimo Theml. N\u00e3o preciso nem dizer o quanto seria bom voc\u00ea segui-lo tamb\u00e9m, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Vejamos primeiro um exemplo de autossabotagem. Sabe aquela pessoa que tem evidente dificuldade de dizer \u201cn\u00e3o\u201d e, assim, acaba pondo as necessidades dos outros \u00e0 frente das suas sempre? Pense por um instante: por que ela faz isso? Certamente deve haver um ganho imediato a lhe proporcionar alguma satisfa\u00e7\u00e3o. Quem sabe ela se sinta querida ao ser prestativa? Quem sabe tenha receio de, ao se recusar a colaborar, ser vista como individualista? Quem sabe o problema seja mais profundo e ela esteja inconscientemente buscando desculpas para se esquivar de fazer algo que, no n\u00edvel da consci\u00eancia,\u00a0<em>sabe\u00a0<\/em>que precisa fazer? Ora, leitor amigo, ajudar os outros soa nobre, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Parece a desculpa perfeita quando precisamos de um pretexto para n\u00e3o fazer uma dada tarefa, concorda?<\/p>\n<p>Por favor, n\u00e3o me entenda mal: longe de mim orient\u00e1-lo a n\u00e3o amparar os outros. Mencionei apenas um cl\u00e1ssico caso de autossabotagem. O fato \u00e9 que ningu\u00e9m consegue dar uma for\u00e7a a todos o tempo todo sem se prejudicar e atrapalhar o pr\u00f3prio futuro. Para piorar, talvez justamente nesse futuro o indiv\u00edduo pudesse usar tudo que conquistou em favor de mais e mais pessoas. Percebe como o ciclo de autossabotagem se fecha?<\/p>\n<p>\u201cCerto, compreendi, mas como fa\u00e7o para saber se estou me autossabotando?\u201d, voc\u00ea pode perguntar. \u00c9 simples. Voc\u00ea descobre isso ao sentir a dor de n\u00e3o ter conseguido concretizar seus sonhos, ao notar que n\u00e3o vem caminhando rumo a seu objetivo no ritmo idealizado. No exemplo da pessoa prestativa e disposta a ajudar todo o mundo ao mesmo tempo, logo depois da satisfa\u00e7\u00e3o pelo dever cumprido, vem aquele familiar sentimento de frustra\u00e7\u00e3o por ter mais uma vez adiado os pr\u00f3prios projetos. Essa dor \u00e9 o maior ind\u00edcio da autossabotagem.<\/p>\n<p>Eis algo interessante a respeito da sabotagem que infligimos a n\u00f3s mesmos: muitas vezes, ela tem origem em um mecanismo de autoprote\u00e7\u00e3o desenvolvido por n\u00f3s l\u00e1 atr\u00e1s, em nossa inf\u00e2ncia. Para entender melhor, visualize, por exemplo, uma crian\u00e7a vivendo em um lar violento, no qual ela precise se esquivar de confrontos quase di\u00e1rios para sobreviver. Imagine que, anos mais tarde, ela tenha se tornando extremamente h\u00e1bil em fugir de problemas. Agora, em outro exemplo, ponha-se no lugar de um menininho cujos pais s\u00f3 lhe d\u00e3o a merecida aten\u00e7\u00e3o quando ele entrega um resultado extraordin\u00e1rio qualquer. Pense nesse menino se transformando em um jovem adulto hiper-realizador.<\/p>\n<p>Note bem: embora as compet\u00eancias dessas duas pessoas hipot\u00e9ticas pare\u00e7am boas, podem resultar em algum grau de autossabotagem. Algu\u00e9m que viva fugindo dos problemas jamais vai alcan\u00e7ar grandes feitos; afinal, conflitos s\u00e3o essenciais para determinadas realiza\u00e7\u00f5es. Eventualmente teremos problemas a enfrentar e precisaremos ter coragem para tanto. Um hiper-realizador, por sua vez, ao cobrar muito de si mesmo e deixar de comemorar as pequenas vit\u00f3rias, em algum momento pode sucumbir \u00e0 estafa mental ou f\u00edsica e paralisar. Veja que interessante: a autossabotagem pode at\u00e9 nascer de algo bom, mas, como sabemos, tudo em excesso \u00e9 prejudicial.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o quais s\u00e3o os perfis mais comuns do autossabotador? Segundo Ger\u00f4nimo Theml, s\u00e3o nove:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Perfil insistente;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Na medida certa, a insist\u00eancia pode ser a base para o sucesso; mas, se cruzar a linha do saud\u00e1vel e se desdobrar em perfeccionismo, pode resultar em lentid\u00e3o, exaust\u00e3o, frustra\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo depress\u00e3o.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>Perfil prestativo;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Como vimos, o excesso de prestatividade pode maquiar um ciclo de autossabotagem. Ajudar os outros, claro, faz bem para a alma, mas dizer\u00a0<em>n\u00e3o<\/em>\u00a0de vez em quando \u00e9 salutar para evitar a autodestrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>Perfil hipervigilante;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>H\u00e1 quem gaste muita energia preocupando-se com eventualidades que muito provavelmente nunca ocorrer\u00e3o de fato. Manter-se vigilante \u00e9 bom, mas cuidado para a preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se tornar uma neurose, fonte de imensa dor.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>Perfil controlador;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A pessoa que sabota a si mesma faz de tudo para manter TUDO sob controle. N\u00e3o se trata de ser mais ou menos organizado, mas de ansiar por controle absoluto de todas as etapas de um processo, em um n\u00edvel absurdo de detalhamento. Se considerarmos o qu\u00e3o imprevis\u00edvel nossa vida \u00e9, logo concluiremos que esse grau de controle \u00e9 invi\u00e1vel e tem grande chance de se transformar em autossabotagem.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>Perfil esquivo;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Mal acontece algo um pouco mais complicado, l\u00e1 vai o esquivo tomar sorvete na praia. Obviamente, os problemas n\u00e3o se resolvem sozinhos e v\u00e3o se acumulando, at\u00e9 explodirem. Um pai com esse perfil abandona facilmente a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, uma vez que educar demanda confronto de ideias e envolvimento. Ora, relaxar no sof\u00e1 \u00e9 muito mais c\u00f4modo! Em algumas circunst\u00e2ncias, esquivar-se de conflitos pode nos manter vivos, ent\u00e3o \u00e9 mesmo importante saber escolher bem as batalhas a enfrentar. Todavia, quando a esquiva se torna a regra, preparamos o palco para o fracasso. Fugir dos problemas, dos conflitos e das decis\u00f5es dif\u00edceis pode at\u00e9 ajudar, mas a fronteira entre o razo\u00e1vel e o danoso, aqui, \u00e9 muito t\u00eanue.<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Perfil hiper-realizador;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Ficar em segundo lugar, para uma pessoa assim, \u00e9 fonte de frustra\u00e7\u00e3o, mesmo que tal posi\u00e7\u00e3o derive de um resultado excelente. Tirar 9,9 em uma prova cuja nota m\u00e1xima era 10 \u00e9 motivo de sofrimento para quem tem o perfil de fazer tudo no n\u00edvel m\u00e1ximo esperado. Muitos bilion\u00e1rios t\u00eam caracter\u00edsticas de hiper-realizadores, mas tomam cuidado para n\u00e3o se deixarem corroer pela tend\u00eancia ao perfeccionismo e acabarem se sabotando ap\u00f3s pequenas derrotas. Um hiper-realizador com tudo pra dar certo pode se tornar um fracassado deprimido se n\u00e3o demonstrar gratid\u00e3o pelas pequenas conquistas nem comemor\u00e1-las; se n\u00e3o deixar de se cobrar em excesso, enfim.<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong>Perfil inquieto;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Voc\u00ea \u00e9 criativo e dotado de tanta energia, que n\u00e3o consegue parar quieto e est\u00e1 sempre pensando no que fazer em seguida? Isso pode parecer \u00f3timo, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Mas h\u00e1 um problema: a inquietude \u00e9 inimiga da tranquilidade necess\u00e1ria \u00e0 conclus\u00e3o de um projeto de cada vez. Pessoas com perfil inquieto dificilmente conseguem se manter em um mesmo lugar pelo tempo necess\u00e1rio e t\u00eam dificuldade para realizar algo que exija a\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio ou longo prazo.<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong>Perfil de v\u00edtima;<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Conhece algu\u00e9m assim, que sempre atribui a culpa por uma falha qualquer a um terceiro, seja este o governo, o chefe, o clima, a banca organizadora do concurso? A responsabilidade nunca \u00e9 do indiv\u00edduo, que se enxerga como o maior injusti\u00e7ado do mundo e reclama de tudo, mantendo-se pessimista em rela\u00e7\u00e3o ao universo e \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o dentro dele.<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong>Perfil hiper-racional.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Embora tenha forte poder de an\u00e1lise e de racionaliza\u00e7\u00e3o dos fatos, uma pessoa que sabota a si mesma tende a calcular tudo com exagero. \u00c9 curioso, pois ela costuma ficar indecisa com quest\u00f5es bem simples, tudo porque insiste em prever um n\u00famero infinito de situa\u00e7\u00f5es com base em uma pretensa l\u00f3gica. N\u00e3o consegue, por exemplo, decidir logo qual caminho seguir em uma viagem porque\u00a0<em>precisa<\/em>\u00a0calcular qual estrada ser\u00e1 mais r\u00e1pida, segura e pr\u00e1tica. Faz tantas contas que termina sem tomar decis\u00e3o alguma. Tem um pouco do perfil controlador, por\u00e9m com \u00f3ptica mais voltada \u00e0 l\u00f3gica como guia de vida.<\/p>\n<p>Posso dizer que me identifico bastante com o perfil do hiper-realizador. E voc\u00ea, concurseiro, se identifica com esse ou algum outro? Se a resposta for\u00a0<em>sim<\/em>, fique tranquilo. Saber qual \u00e9 o seu perfil \u00e9 de extrema import\u00e2ncia. Autoconhecer-se \u00e9 fundamental em todos os aspectos da vida, sobretudo para evitar a autossabotagem. Conhe\u00e7a-se a si mesmo e saiba quais s\u00e3o os gatilhos que o atrapalham de maneira consciente ou inconsciente. Pode ter certeza: ter esse n\u00edvel de sabedoria a seu respeito \u00e9 uma tremenda vantagem.<\/p>\n<p>Concluo nossa conversa de hoje pedindo para voc\u00ea alinhar bem o seu discurso com seus objetivos. Evite palavras sabotadoras como \u201ctentar\u201d, \u201cquero\u201d, \u201cpreciso\u201d, \u201cacho\u201d, \u201ctenho de\u201d, \u201cmas\u201d, \u201cpor\u00e9m\u201d, \u201ctalvez\u201d e afins, especialmente na hora de definir metas. Se voc\u00ea disser \u201cVou\u00a0<em>tentar<\/em>\u00a0estudar 30 horas esta semana\u201d ou \u201c<em>Tenho de\u00a0<\/em>estudar 30 horas esta semana\u201d, estar\u00e1 modulando a a\u00e7\u00e3o e antecipando o fracasso. Ora, a mera\u00a0<em>tentativa<\/em>\u00a0de estudar atende a primeira parte da proposi\u00e7\u00e3o, o que produzir\u00e1 em voc\u00ea uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido. A segunda parte da frase, por sua vez, n\u00e3o gera nenhuma necessidade de a\u00e7\u00e3o. A tend\u00eancia ser\u00e1 voc\u00ea falhar miseravelmente em seu prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s entendemos a necessidade de estudar, trabalhar, dar nosso melhor. Somos plenamente capazes de quantificar as horas de estudo necess\u00e1rias e, em alguns casos, at\u00e9 mesmo de detalhar o que precisamos fazer nessas horas. Ent\u00e3o mude a proposi\u00e7\u00e3o para algo como \u201c<em>Vou estudar<\/em>\u00a030 horas nesta semana, fa\u00e7a sol, fa\u00e7a chuva\u201d e evolua ao longo do tempo para, quem sabe, definir a forma como ser\u00e1 o estudo. Quanto mais detalhada a frase, melhor.<\/p>\n<p>Percebeu a diferen\u00e7a entre uma senten\u00e7a de caracter\u00edsticas autossabotadoras e outra voltada para o sucesso? N\u00e3o para por a\u00ed. Articuladores como \u201cmas\u201d precisam ser desprezados porque funcionam como desculpa, como forma de anular na mente tudo que vem antes deles. \u201cEu ia estudar 30 horas esta semana,\u00a0<em>mas<\/em>\u00a0n\u00e3o vai ser poss\u00edvel porque n\u00e3o tenho tempo (ou dinheiro\u2026).\u201d Ignore esse \u201cmas\u201d! Sempre existir\u00e3o in\u00fameros deles para justificar sua in\u00e9rcia.<\/p>\n<p>Vamos acabar com a autossabotagem que est\u00e1 prejudicando nossos sonhos! Combinado?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra \u201csabotagem\u201d vem do franc\u00eas\u00a0sabot, \u201ctamanco\u201d, aquele sapato de madeira, muito usado na \u00e9poca da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial iniciada no s\u00e9culo XVIII. Atribui-se a origem do termo ao ato deliberado dos trabalhadores insatisfeitos do per\u00edodo de quebrar as m\u00e1quinas da ind\u00fastria jogando nelas os sapatos. A\u00e7\u00f5es de sabotagem contra terceiros como essa s\u00e3o frequentes. 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