{"id":2271,"date":"2023-02-15T21:16:08","date_gmt":"2023-02-16T00:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/centrobrasileirointegrado.com.br\/mg\/?p=2271"},"modified":"2023-02-15T21:16:08","modified_gmt":"2023-02-16T00:16:08","slug":"eja-jovens-adultos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/centrobrasileirointegrado.com.br\/mg\/eja-jovens-adultos\/","title":{"rendered":"<a href=\"https:\/\/centrobrasileirointegrado.com.br\/mg\/eja-jovens-adultos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A EJA TEM MAIS JOVENS QUE ADULTOS. E ISSO \u00c9 RUIM<\/a>"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma aterrissagem suave &#8211; est\u00e1 mais para um tombo. O n\u00famero de estudantes na EJA, a Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos, vem caindo acentuadamente nos \u00faltimos anos. Os dados s\u00e3o do Censo Escolar 2022, divulgado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) na \u00faltima quarta (8). EJA \u00e9 o nome dado ao antigo &#8220;supletivo&#8221;, oportunidade para a conclus\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o escolar em diferentes idades. As aulas costumam ser dadas \u00e0 noite, sobretudo na rede p\u00fablica, em classes de faixas et\u00e1rias e forma\u00e7\u00f5es diversas. Ao final do curso, as turmas s\u00e3o submetidas a exames de verifica\u00e7\u00e3o da aprendizagem para, ent\u00e3o, receberem o diploma correspondente \u00e0 fase conclu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Eis o que diz o Censo: o total de alunos na EJA caiu de 3.545.988 em 2018 para 2.774.428 em 2022. Uma diminui\u00e7\u00e3o de 22%, mais pronunciada no M\u00e9dio (25% de queda) do que no Fundamental (20%).<\/p>\n\n\n\n<p>O perfil et\u00e1rio dos alunos muda conforme se avan\u00e7a na etapa da forma\u00e7\u00e3o: nas s\u00e9ries iniciais do Fundamental, a mediana de idade \u00e9 46 anos; no Fundamental II, 25 anos, e no M\u00e9dio, 24 anos. Ou seja: h\u00e1 mais jovens que adultos na Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos. E isso \u00e9 uma m\u00e1 not\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, porque \u00e9 por meio da EJA que o Brasil poderia acabar com o analfabetismo. O Brasil ainda tem 11 milh\u00f5es de pessoas maiores de 15 anos que n\u00e3o sabem ler ou escrever. O perfil \u00e9 conhecido: adultos, geralmente pretos ou pardos, habitantes da zona rural. Esse contingente, equivalente a 7% da popula\u00e7\u00e3o que deveria saber ler e escrever, n\u00e3o est\u00e1 na escola. E o Brasil parece ter se conformado com isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo porque a &#8220;juveniliza\u00e7\u00e3o&#8221; da EJA significa que a modalidade est\u00e1 recebendo cada vez mais alunos do ensino regular. Conforme o Censo Escolar, entre 2019 e 2020 a migra\u00e7\u00e3o foi de aproximadamente 230 mil alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e 160 mil do Ensino M\u00e9dio. S\u00e3o, em sua maioria, estudantes com hist\u00f3rico de repet\u00eancia ou abandono.<\/p>\n\n\n\n<p>A busca precoce pela EJA acontece porque a lei permite o acesso \u00e0 modalidade para pessoas com 15 anos de idade ou mais que n\u00e3o completaram o Ensino Fundamental e com 18 anos ou mais que n\u00e3o finalizaram o Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa conta r\u00e1pida: um aluno que estivesse na idade certa para o 6o ano (11 anos) em 2019, mas que tivesse largado a escola na pandemia ou ficado retido por um ano ou dois anos, j\u00e1 poderia pedir para fazer a EJA no Fundamental. Mesma coisa para um aluno com apenas uma repet\u00eancia no Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo estando bem perto da &#8220;idade certa&#8221; para a conclus\u00e3o da etapa de ensino, muitos jovens acabam optando pela EJA por conta da rapidez &#8211; cada s\u00e9rie \u00e9 condensada em apenas um semestre &#8211; e da comodidade &#8211; em algumas institui\u00e7\u00f5es, d\u00e1 para fazer aulas pela internet. A forma\u00e7\u00e3o, como se sabe, \u00e9 mais fr\u00e1gil.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa une os n\u00fameros declinantes de jovens e adultos na EJA: a crise sanit\u00e1ria da covid-19 \u00e9 tida como a principal causa da evas\u00e3o at\u00e9 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Boa parte dos estudantes sumiu durante a pandemia. Tiveram de buscar sua sobreviv\u00eancia&#8221;, diz Roberta Panico, diretora da Comunidade Educativa (Cedac). &#8220;Sobretudo adultos, que est\u00e3o no mercado de trabalho e que, na crise, acabaram tendo de se desvencilhar do que pudesse estar no caminho da luta por sustento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Roberta pontua que h\u00e1 problemas nesse formato de ensino que s\u00e3o anteriores. Segundo ela, falta aproveitar o potencial que os estudantes da EJA, pela pr\u00f3pria viv\u00eancia pr\u00e1tica, j\u00e1 possuem. &#8220;Racioc\u00ednio l\u00f3gico e c\u00e1lculo mental, por exemplo, \u00e9 algo bastante presente nesse alunado. N\u00e3o se deve ficar apenas na &#8216;regrinha&#8217; para fazer a conta. Nas Ci\u00eancias, pode-se partir das cren\u00e7as populares para questionamentos que os levem em dire\u00e7\u00e3o ao conhecimento cient\u00edfico&#8221;, exemplifica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, a solu\u00e7\u00e3o seria aproximar o que \u00e9 ensinado da realidade dos alunos. &#8220;\u00c9 preciso mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do sentido. As propostas pedag\u00f3gicas precisam estar mais conectadas ao contexto desses jovens e adultos trabalhadores, pais e m\u00e3es de fam\u00edlia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ainda destaca que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), principal refer\u00eancia nacional para o que e como deve ser ensinado em sala de aula, segue ignorando a EJA. &#8220;Precisa pegar o que est\u00e1 como direito da Base e contextualizar para essa modalidade. Como apresentar isso numa metodologia coerente que caiba no tempo da Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa pensar em quest\u00f5es infraestruturais, como transporte, merenda e organiza\u00e7\u00e3o do tempo. &#8220;Ousa-se pouco em EJA. Em Jundia\u00ed (SP), houve uma proposta de escola sem parede, em que o aluno levava o material que estudava em casa e assistia \u00e0 aula referente a esse material. E ele progredia. Por que n\u00e3o o tempo em que ele se dedica \u00e0s atividades n\u00e3o pode ser contabilizado? Para quem trabalha, \u00e9 dif\u00edcil encarar mais quatro horas sentado na sala de aula.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de professores \u00e9 outro entrave. A EJA \u00e9 encarada no Brasil como uma esp\u00e9cie de &#8220;bico&#8221; por parte dos docentes, que recorrem \u00e0 modalidade para complementar sua renda. &#8220;Por um lado, \u00e9 um direito e uma necessidade. Por outro, n\u00e3o t\u00eam especificidade na forma\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a especialista, \u00e9 preciso um novo olhar para a modalidade como um todo. Uma alternativa \u00e9 encarar a EJA como forma\u00e7\u00e3o permanente, como ocorre em outros pa\u00edses. &#8220;No Brasil, EJA n\u00e3o pode ser visto como algo que vai passar. N\u00e3o vai e nem pode acabar, se um dia a gente quiser virar um pa\u00eds desenvolvido. A EJA \u00e9 vista como educa\u00e7\u00e3o permanente no mundo todo. Aqui, a gente v\u00ea como um &#8216;remedinho&#8217;. \u00c9 preciso mudar&#8221;, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/colunas\/rodrigo-ratier\/2023\/02\/14\/educacao-de-jovens-e-adultos-tem-mais-jovens-que-adultos-e-isso-e-ruim.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">uol.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Veja mais not\u00edcias em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/centrobrasileirointegrado.com.br\/mg\/noticias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/centrobrasileirointegrado.com.br\/mg\/noticias\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 uma aterrissagem suave &#8211; est\u00e1 mais para um tombo. O n\u00famero de estudantes na EJA, a Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos, vem caindo acentuadamente nos \u00faltimos anos. Os dados s\u00e3o do Censo Escolar 2022, divulgado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) na \u00faltima quarta (8). 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